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Lesão da Fibrocartilagem Triangular (TFCC): O Que Causa Essa Dor no Lado do Punho

Lesão da fibrocartilagem triangular é uma das causas mais comuns de dor no punho do lado do dedo mínimo. Se você sente dor ao girar a mão, apoiar o punho ou fazer um movimento de torção — como abrir uma maçaneta ou torcer um pano — pode estar diante de uma lesão do TFCC.

Essa estrutura funciona como o “menisco do punho”: amortece impactos, estabiliza a articulação e permite os movimentos de rotação do antebraço. Quando ela se lesiona, o punho perde estabilidade e a dor pode se tornar incapacitante.

A boa notícia é que a lesão da fibrocartilagem triangular tem tratamento, tanto conservador quanto cirúrgico. Neste artigo, você vai entender o que é o TFCC, como se lesiona, quais são os sintomas, como é o diagnóstico e quais as opções de tratamento disponíveis.

Lesão da fibrocartilagem triangular: o que é o TFCC e qual sua função

O complexo da fibrocartilagem triangular, conhecido pela sigla TFCC (do inglês Triangular Fibrocartilage Complex), é um conjunto de cartilagens e ligamentos localizado no lado ulnar do punho — ou seja, do lado do dedo mínimo, entre a ulna e os ossos do carpo.

Anatomia TFCC

Pense no TFCC como um amortecedor entre os ossos do punho. Ele funciona de forma semelhante aos meniscos do joelho, absorvendo impactos e distribuindo a carga durante os movimentos da mão. Além disso, o TFCC tem outras funções essenciais:

  • Estabilizar a articulação radioulnar distal (a junção entre o rádio e a ulna no punho)
  • Permitir os movimentos de rotação do antebraço, como virar a palma da mão para cima e para baixo
  • Distribuir a carga transmitida entre a mão e o antebraço, protegendo os ossos e a cartilagem

Quando o TFCC está íntegro, esses movimentos acontecem de forma suave e indolor. Quando há uma lesão, o punho perde estabilidade e cada movimento pode gerar dor, estalos e sensação de fraqueza.

Como a lesão do TFCC acontece

A lesão da fibrocartilagem triangular pode ter duas origens: traumática ou degenerativa.

Lesão traumática

É a mais comum em pacientes jovens e ativos. Acontece quando uma força intensa é aplicada no punho, como em:

  • Queda com a mão espalmada no chão — o mecanismo clássico, semelhante ao da fratura do punho
  • Rotação brusca do antebraço sob carga, como em esportes de raquete (tênis, pádel) ou artes marciais
  • Trauma direto no lado do punho
  • Lesão associada a fratura do rádio distal — em muitos casos, a fratura do punho vem acompanhada de lesão do TFCC que passa despercebida no atendimento inicial

Lesão degenerativa

É mais frequente em pacientes acima dos 40-50 anos. O TFCC sofre desgaste natural ao longo da vida, assim como os meniscos do joelho. Esse desgaste é acelerado por:

  • Atividades manuais repetitivas que sobrecarregam o punho
  • Variações anatômicas, como a ulna mais longa que o rádio (ulna plus), que aumenta a pressão sobre o TFCC
  • Envelhecimento natural das estruturas ligamentares

É importante saber que muitas pessoas têm lesões degenerativas do TFCC em exames de imagem sem nunca terem sentido dor. Portanto, nem toda lesão vista na ressonância precisa de tratamento — o que importa é a relação entre a lesão e os sintomas do paciente.

Sintomas da lesão do TFCC

Os sinais de uma lesão da fibrocartilagem triangular incluem:

  • Dor no punho do lado do dedo mínimo, que piora ao girar a mão ou apoiar o punho
  • Estalos ou cliques durante o movimento de rotação do antebraço
  • Sensação de instabilidade no punho, como se ele estivesse “frouxo”
  • Perda de força de preensão, especialmente ao segurar objetos pesados ou ao fazer movimentos de torção
  • Inchaço na região ulnar do punho
  • Dor ao apertar a mão de outra pessoa

Os sintomas costumam piorar em atividades que envolvem rotação ou carga no punho — como dirigir, digitar, praticar esportes ou carregar sacolas.

Atenção: a dor no lado ulnar do punho pode ter diversas causas além da lesão do TFCC, como tendinite do extensor ulnar do carpo, artrose da articulação radioulnar distal ou instabilidade ligamentar. Por isso, a avaliação com um ortopedista especialista em mão é fundamental para o diagnóstico correto.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da lesão do TFCC começa pelo exame clínico detalhado. O ortopedista especialista em mão realiza testes específicos de provocação de dor e avalia a estabilidade da articulação radioulnar distal. Os testes mais utilizados incluem o teste de estresse ulnar e o teste de compressão da fóvea.

Os exames de imagem são essenciais para confirmar o diagnóstico:

  • Radiografia: não mostra a lesão do TFCC diretamente, mas é fundamental para avaliar o alinhamento dos ossos, detectar fraturas associadas e verificar se há variação ulnar positiva (ulna mais longa)
  • Ressonância magnética (RMN): é o principal exame para visualizar a fibrocartilagem triangular e identificar rupturas, degenerações e inflamação nos tecidos moles
  • Artroscopia diagnóstica: quando a ressonância não é conclusiva e os sintomas persistem, a artroscopia do punho pode ser indicada. Além de visualizar diretamente a lesão, o cirurgião pode tratá-la no mesmo procedimento

Estudos publicados em 2025 reforçam que a correlação entre os achados da ressonância magnética e a artroscopia nem sempre é perfeita, o que torna o exame clínico indispensável na tomada de decisão.

Tratamento da lesão da fibrocartilagem triangular

O tratamento é sempre individualizado e depende do tipo de lesão (traumática ou degenerativa), da gravidade, dos sintomas e das demandas do paciente.

Tratamento conservador

Indicado para lesões parciais, degenerativas e traumáticas sem instabilidade significativa:

  • Imobilização: uso de órtese ou tala para repouso do punho, geralmente por 4 a 6 semanas
  • Anti-inflamatórios e analgésicos: para controle da dor e inflamação na fase aguda
  • Fisioterapia: exercícios de fortalecimento e estabilização do punho, com retorno gradual às atividades
  • Infiltração com corticoide: pode ser indicada em casos de dor persistente, para reduzir a inflamação local

O tratamento conservador bem conduzido pode resolver a maioria das lesões degenerativas e muitas lesões traumáticas parciais, com melhora significativa da dor em 6 a 12 semanas.

Tratamento cirúrgico — artroscopia de punho

A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador falha ou quando há instabilidade articular, ruptura completa ou fragmentos soltos no interior da articulação:

  • Desbridamento artroscópico: remoção do tecido lesionado ou degenerado que causa atrito e dor dentro da articulação. Indicado em lesões degenerativas e rupturas parciais centrais.
  • Reparo artroscópico: sutura da fibrocartilagem no seu local de origem, especialmente em lesões traumáticas periféricas onde o TFCC se soltou do osso. Essa é a técnica que oferece os melhores resultados a longo prazo.

A artroscopia de punho é um procedimento minimamente invasivo, realizado com pequenas incisões e uso de câmera. A recuperação é mais rápida que na cirurgia aberta, e o paciente geralmente recebe alta no mesmo dia.

Após a cirurgia, o punho é imobilizado por 4 a 6 semanas, seguido de reabilitação progressiva. A recuperação completa pode levar de 3 a 6 meses, dependendo do tipo de reparo realizado.

Quando procurar um ortopedista especialista em mão

Se você sente dor persistente no lado do punho do dedo mínimo, especialmente ao girar a mão ou apoiar o punho, não ignore. A lesão do TFCC, quando não tratada, pode levar a instabilidade crônica da articulação e artrose a longo prazo.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença nos resultados. Quanto antes a lesão for identificada, maiores são as chances de recuperação completa, seja com tratamento conservador ou cirúrgico.

O Dr. Renê Hobi é ortopedista especialista em cirurgia da mão, punho e artroscopia. Atende em Porto União (SC) e União da Vitória (PR), no consultório Hobi Ortopedia — InMedi, na Rua Santos Dumont, 339. Agende sua consulta para avaliação e saiba qual é o melhor tratamento para o seu caso.

Referências

  • Holanda, L.S. et al. — “Evaluation of Arthroscopic Treatment of Triangular Fibrocartilage.” Acta Ortopédica Brasileira, 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC12456899/
  • Atzei, A. & Luchetti, R. — “Foveal TFCC Tear Classification and Treatment.” Hand Clinics, 2011.

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