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Dedo em Martelo: Por Que a Ponta do Dedo Ficou Caída e o Que Fazer

Dedo em martelo é uma lesão que acontece quando o tendão responsável por esticar a ponta do dedo se rompe ou se solta do osso após um trauma. O resultado é uma ponta do dedo que fica permanentemente dobrada para baixo, sem que a pessoa consiga levantá-la por conta própria.

Essa lesão é mais comum do que se imagina e pode acontecer em situações simples do dia a dia — como ao arrumar a cama, vestir uma calça ou receber uma bolada durante um jogo. Apesar de parecer um problema menor, o tratamento tardio pode levar a deformidades permanentes e dificuldade para usar a mão.

Neste artigo, você vai entender o que é o dedo em martelo, por que ele acontece, quais são os tipos de lesão, como é feito o tratamento e por que é tão importante não tirar a tala antes da hora.

O que é o dedo em martelo e por que acontece

O dedo em martelo é uma deformidade em que a ponta do dedo (falange distal) fica flexionada e o paciente não consegue estendê-la ativamente. Isso acontece porque o tendão extensor terminal — a estrutura que “puxa” a ponta do dedo para cima — sofre uma lesão.

O mecanismo mais comum é um impacto direto na ponta do dedo esticado, que força uma flexão brusca. Imagine uma bola batendo na ponta do dedo durante um jogo de vôlei, basquete ou futebol. Essa força súbita é suficiente para romper o tendão ou arrancar um fragmento do osso onde ele se insere.

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mallet_Finger_Injury.jpg
Dedo em Martelo

Mas a lesão não acontece apenas em esportes. Situações cotidianas também podem causar o problema:

  • Bater a ponta do dedo ao arrumar lençóis ou cobertores
  • Enfiar o dedo de forma errada ao vestir uma calça ou meia
  • Trauma contra uma porta, gaveta ou superfície dura
  • Cortes com faca ou vidro no dorso do dedo
  • Em casos raros, a lesão pode ocorrer espontaneamente em pacientes com doenças reumatológicas

O dedo em martelo é também chamado de “dedo de beisebol” (baseball finger) em países de língua inglesa, justamente por ser uma lesão clássica desse esporte.

Tipos de dedo em martelo: tendíneo e ósseo

Existem dois tipos de dedo em martelo, e essa diferença é fundamental para definir o tratamento:

Dedo em martelo tendíneo

O tendão extensor se rompe ou se solta do osso, sem fratura associada. O dedo fica caído porque não há mais a estrutura que o “puxa” para cima. É o tipo mais comum.

Dedo em martelo ósseo

O tendão não se rompe sozinho, mas arranca um fragmento de osso junto com ele ao se soltar. Esse tipo pode ser mais grave, especialmente quando o fragmento ósseo é grande e compromete a articulação, podendo causar instabilidade.

A radiografia é essencial para diferenciar os dois tipos, pois o tratamento pode ser diferente. Em ambos os casos, o diagnóstico clínico é bastante evidente: a ponta do dedo fica dobrada e o paciente não consegue esticá-la ativamente.

Sintomas do dedo em martelo

Os sinais são bastante característicos e costumam aparecer imediatamente após o trauma:

  • Ponta do dedo caída (dobrada para baixo), sem conseguir esticar
  • Dor no dorso da articulação da ponta do dedo
  • Inchaço e vermelhidão no local
  • Hematoma no dorso do dedo em alguns casos
  • Perda da capacidade de estender a ponta do dedo por conta própria — embora seja possível esticá-la passivamente (com a outra mão)

Atenção: muitas pessoas acham que “é só uma pancada” e esperam dias ou semanas para procurar atendimento. Isso é um erro, pois quanto mais cedo o tratamento começar, melhores são os resultados. A demora pode levar a uma deformidade mais difícil de corrigir.

Como é feito o tratamento

O tratamento do dedo em martelo depende do tipo de lesão (tendíneo ou ósseo), do tamanho do fragmento ósseo (quando há fratura) e do grau de deformidade. O objetivo é manter a ponta do dedo reta pelo tempo necessário para o tendão cicatrizar.

Tratamento conservador (com tala)

É o tratamento mais utilizado e indicado para a maioria dos casos — tanto no dedo em martelo tendíneo quanto no ósseo com fragmento pequeno e sem grande desvio.

O dedo é posicionado em extensão completa (esticado ou levemente “arrebitado” para cima) e imobilizado com uma tala metálica ou órtese sob medida. O protocolo padrão é:

  • 6 a 8 semanas com a tala em uso contínuo, 24 horas por dia
  • Mais 4 a 6 semanas com uso noturno ou durante atividades

O ponto mais crítico do tratamento: a tala não pode ser retirada antes do tempo. Cada vez que a ponta do dedo flexiona durante o período de imobilização, a cicatriz do tendão que está se formando pode romper, e o tratamento precisa recomeçar do zero. Isso significa que o paciente não deve “testar” se o dedo já estica, não pode tirar a tala para lavar (existem técnicas para higienizar sem flexionar o dedo) e precisa de muita disciplina.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é indicada em situações específicas:

  • Fragmento ósseo grande (acometendo mais de 30 a 50% da superfície articular)
  • Subluxação (deslocamento parcial) da articulação
  • Lesões com grande desvio do fragmento
  • Casos em que o tratamento conservador falhou
  • Lesões abertas (corte no dorso do dedo com secção do tendão)

Na cirurgia, o tendão é suturado ou o fragmento ósseo é fixado com fios metálicos finos (fios de Kirschner). A articulação é imobilizada com um pino por 6 a 8 semanas para permitir a cicatrização. Após a retirada dos fios, inicia-se a reabilitação.

O que acontece se não tratar

Essa é uma informação que muita gente desconhece. O dedo em martelo não tratado pode evoluir para uma deformidade mais grave chamada “pescoço de cisne”.

O que acontece é o seguinte: quando o tendão extensor rompe na ponta do dedo, toda a força de extensão se concentra na articulação do meio do dedo, fazendo com que ela fique hiperextendida (curvada para trás). Com o tempo, essa deformidade se torna rígida, podendo causar dor e artrose na articulação.

Por isso, mesmo que a dor inicial seja leve, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível para evitar essa complicação.

Recuperação e expectativas

Mesmo com o tratamento adequado, é importante ter expectativas realistas:

  • A maioria dos pacientes recupera a função do dedo e consegue usá-lo normalmente
  • Uma leve perda de extensão (o dedo pode ficar com alguns graus de flexão residual) é comum e geralmente não atrapalha no dia a dia
  • A recuperação completa pode levar de 3 a 4 meses do início do tratamento
  • A fisioterapia ou terapia da mão pode ser indicada após a retirada da tala para recuperar a mobilidade

Os melhores resultados são obtidos quando o tratamento é iniciado precocemente e o paciente segue rigorosamente o protocolo de imobilização, sem retirar a tala antes do prazo orientado pelo especialista.

Quando procurar um ortopedista especialista em mão

Se a ponta do seu dedo ficou dobrada após um trauma e você não consegue esticá-la, procure um ortopedista especialista em mão o mais rápido possível. Não espere para ver se melhora sozinho — o tempo é um fator decisivo no resultado do tratamento.

O Dr. Renê Hobi é ortopedista especialista em cirurgia da mão e punho. Atende em Porto União (SC) e União da Vitória (PR), no consultório Hobi Ortopedia — InMedi, na Rua Santos Dumont, 339. Agende sua consulta para avaliação e tratamento adequado.

Referências

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