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Fratura do Punho: Tudo o Que Você Precisa Saber Sobre Causas, Tratamento e Recuperação

Fratura do punho é a lesão óssea mais comum do membro superior e uma das que mais levam pacientes ao pronto-socorro. Se você caiu com a mão apoiada no chão e sentiu dor intensa, inchaço e dificuldade para mexer o punho, é muito provável que tenha fraturado o rádio distal.

Essa lesão pode parecer simples à primeira vista, mas o tratamento inadequado pode deixar sequelas permanentes, como dor crônica, perda de força e limitação dos movimentos. Por isso, a avaliação de um ortopedista especialista em mão é fundamental.

A boa notícia é que a grande maioria das fraturas do punho tem excelente prognóstico quando tratadas corretamente. Dependendo do tipo e da gravidade, o tratamento pode ser feito com imobilização ou com cirurgia, e a recuperação costuma ser completa na maioria dos casos.

Neste artigo completo, você vai entender o que é a fratura do punho, quais são os tipos, como é feito o diagnóstico, quando a cirurgia é necessária, como funciona a recuperação e o que fazer nos primeiros socorros.

Fratura do punho: o que é e por que é tão comum

A chamada fratura do punho é, na verdade, a fratura da extremidade distal do rádio, o osso do antebraço que fica do lado do polegar. O rádio é o osso mais fraturado do membro superior, responsável por cerca de 1 a cada 6 fraturas de todo o corpo humano.

A região distal do rádio é especialmente vulnerável porque é onde o osso se torna mais fino e está diretamente exposto a impactos quando apoiamos a mão no chão durante uma queda. É exatamente por isso que o mecanismo de trauma mais comum é a queda com a mão espalmada.

Essa fratura pode acontecer em qualquer idade, mas é especialmente frequente em dois grupos:

  • Idosos (acima de 60 anos): a osteoporose torna os ossos mais frágeis, e uma queda simples pode ser suficiente para causar a fratura. Em mulheres após a menopausa, o risco é ainda maior.
  • Jovens e adultos ativos: nesse grupo, a fratura geralmente resulta de traumas de maior energia, como acidentes de moto, bicicleta, quedas em esportes (skate, patins, futebol) ou acidentes de trabalho.

Quando um idoso fratura o punho após uma queda da própria altura, isso pode ser um sinal de alerta para osteoporose e merece investigação com exame de densitometria óssea, além do tratamento da própria fratura.

Quais são os tipos de fratura do punho

Nem toda fratura do rádio distal é igual. O tipo de fratura influencia diretamente na escolha do tratamento e no tempo de recuperação. Os principais tipos são:

Fratura de Colles

É o tipo mais comum. O fragmento do osso se desloca para trás (dorsal), criando uma deformidade conhecida como “dorso de garfo” — o punho fica com uma saliência visível na parte de cima. Foi descrita em 1814 pelo cirurgião irlandês Abraham Colles.

Fratura de Smith

Fratura do punho
Fratura do tipo Colles  Crédito:(AAOS OrthoInfo)

É o oposto da fratura de Colles: o fragmento do osso se desloca para frente (volar). É menos frequente e geralmente resulta de uma queda com o punho flexionado.

Fratura intra-articular

A linha de fratura se estende até a superfície articular do punho, ou seja, atinge a região onde o rádio se articula com os ossos da mão. Essas fraturas são mais complexas e, quando não tratadas adequadamente, podem evoluir para artrose do punho a longo prazo.

Fratura extra-articular

A fratura não atinge a articulação. Costuma ter tratamento mais simples e melhor prognóstico.

Fratura cominutiva

O osso se quebra em múltiplos fragmentos. São fraturas de alta complexidade que quase sempre exigem tratamento cirúrgico.

Fratura exposta

O osso fraturado rompe a pele. É uma urgência médica pelo risco de infecção e exige tratamento imediato.

É importante saber que, em muitos casos, a fratura do punho pode vir acompanhada de lesões associadas, como fratura do escafoide, fratura da ulna (o outro osso do antebraço) ou lesões nos ligamentos do punho. Por isso, a avaliação completa por um especialista é essencial.

Sintomas da fratura do punho: como saber se quebrei o punho

Os sintomas costumam aparecer imediatamente após o trauma e são bastante evidentes na maioria dos casos. Os principais sinais de uma fratura do punho incluem:

  • Dor intensa no punho ou antebraço, que piora ao tentar movimentar
  • Inchaço rápido e progressivo na região
  • Hematoma (mancha roxa) no punho e na mão
  • Deformidade visível, como um desvio ou saliência anormal
  • Dificuldade ou impossibilidade de mover o punho e os dedos
  • Dormência ou formigamento nos dedos, sugerindo compressão de nervos
  • Sensibilidade intensa ao toque na região do punho

Importante: mesmo que a dor seja suportável, procure atendimento médico. Existem fraturas sem grande desvio que doem pouco, mas que podem piorar se não forem tratadas. Nunca confie apenas na intensidade da dor para descartar uma fratura.

O que fazer nos primeiros socorros

Se você ou alguém próximo sofreu uma queda e há suspeita de fratura no punho, siga estes passos:

  • Imobilize o punho da forma que conseguir, mantendo-o parado e apoiado
  • Retire anéis, pulseiras e relógios imediatamente, antes que o inchaço aumente
  • Aplique gelo envolto em um pano por 15 a 20 minutos, com intervalos
  • Eleve a mão acima do nível do coração para reduzir o inchaço
  • Procure atendimento médico o mais rápido possível para realizar radiografia

Atenção: procure o pronto-socorro com urgência se houver ferida aberta com osso exposto, deformidade importante, dedos pálidos, arroxeados ou frios, ou dormência persistente nos dedos.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da fratura do punho combina a história do trauma, o exame físico e exames de imagem. O médico avalia a deformidade, o inchaço, a mobilidade e verifica a sensibilidade e a circulação dos dedos.

Os exames utilizados são:

  • Radiografia: é o exame padrão para confirmar a fratura, avaliar o alinhamento e classificar o tipo. São feitas imagens de frente e de perfil do punho.
  • Tomografia computadorizada (TC): indicada em fraturas complexas, especialmente as intra-articulares, para visualizar os fragmentos com mais detalhe e planejar a cirurgia.
  • Ressonância magnética (RMN): pode ser solicitada para avaliar lesões associadas nos ligamentos, tendões e cartilagens, especialmente em traumas de alta energia.

O especialista também faz uma avaliação neurovascular, checando se nervos e artérias do punho foram afetados pelo trauma. A compressão do nervo mediano, por exemplo, pode causar uma síndrome do túnel do carpo aguda, que exige tratamento imediato.

Tratamento da fratura do punho: quando é preciso operar

A escolha entre tratamento conservador e cirúrgico depende de vários fatores: tipo e gravidade da fratura, grau de desvio, se a fratura atinge ou não a articulação, idade do paciente e nível de atividade.

Tratamento conservador (sem cirurgia)

Indicado para fraturas estáveis, sem desvio significativo e que não atingem a articulação. O tratamento consiste em:

  • Tala gessada nos primeiros dias, quando ainda há muito inchaço
  • Gesso circular após a redução do inchaço, mantido por 4 a 6 semanas
  • Acompanhamento radiográfico semanal nas primeiras 2 a 3 semanas, para garantir que a fratura não saiu do lugar

Quando a fratura tem algum desvio, o médico pode fazer uma redução fechada, que é o realinhamento do osso sem cirurgia, antes de imobilizar com gesso. Esse procedimento é feito com anestesia local ou sedação.

Ponto de atenção: mesmo fraturas tratadas com gesso precisam de acompanhamento rigoroso. Cerca de 30% das fraturas do rádio distal podem perder o alinhamento nas primeiras semanas dentro do gesso, necessitando mudança de conduta para cirurgia.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é indicada quando a fratura é instável, tem grande desvio, atinge a articulação ou quando houve perda do alinhamento durante o tratamento com gesso. Os principais métodos cirúrgicos são:

Placa e parafusos (fixação interna): é a técnica mais utilizada atualmente. Através de uma incisão de aproximadamente 5 cm na face anterior do punho, o cirurgião recoloca os fragmentos no lugar e fixa com uma placa de titânio e parafusos. A grande vantagem é permitir mobilização precoce do punho, geralmente já nos primeiros dias após a cirurgia, acelerando a recuperação.

Fixação de uma fratura do rádio por meio de uma placa de titânio parafusada no osso Crédito: “Imagem: Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0”

Fixação externa: utiliza pinos metálicos colocados no osso e uma estrutura externa para manter a fratura no lugar. É indicada em fraturas muito cominutivas ou em fraturas expostas.

Fixação percutânea com fios: fios metálicos são introduzidos através da pele para manter os fragmentos alinhados. Costuma ser complementar a outros métodos.

A cirurgia é feita com anestesia regional ou geral, em regime ambulatorial na maioria dos casos, e o paciente recebe alta no mesmo dia.

Recuperação da fratura do punho: prazos e fisioterapia

O tempo de recuperação varia conforme o tipo de fratura e o tratamento realizado, mas de forma geral:

Fraturas tratadas com gesso

  • 4 a 6 semanas de imobilização
  • Início da fisioterapia após a retirada do gesso
  • Recuperação funcional completa entre 10 e 16 semanas
  • Retorno a atividades esportivas entre 3 e 6 meses

Fraturas tratadas com cirurgia (placa e parafusos)

  • Início da movimentação do punho nos primeiros dias após a cirurgia
  • Consolidação óssea em torno de 6 semanas
  • Recuperação funcional entre 10 e 12 semanas
  • Retorno a atividades intensas entre 3 e 4 meses

O papel da fisioterapia

A fisioterapia é fundamental em todos os casos, tanto após o gesso quanto após a cirurgia. A imobilização, mesmo que por poucas semanas, causa rigidez articular, perda de força e inchaço. O programa de reabilitação inclui:

  • Exercícios para ganho de amplitude de movimento (flexão, extensão, rotação)
  • Fortalecimento progressivo dos músculos do antebraço e mão
  • Controle do edema e da dor
  • Exercícios de destreza e coordenação motora fina
  • Massagem cicatricial (nos casos cirúrgicos)

O início precoce da fisioterapia é um dos fatores que mais influencia no resultado final. Pacientes que iniciam a reabilitação cedo tendem a recuperar a mobilidade e a força de forma mais rápida e completa.

Complicações possíveis

Embora a maioria das fraturas do punho cicatrize sem problemas, algumas complicações podem ocorrer:

  • Rigidez articular: a complicação mais frequente, geralmente resolvida com fisioterapia adequada
  • Dor residual: pode persistir por alguns meses, especialmente em fraturas intra-articulares
  • Síndrome do túnel do carpo: a compressão do nervo mediano pode ocorrer tanto pelo trauma quanto pelo gesso ou material cirúrgico
  • Artrose do punho: possível a longo prazo, principalmente em fraturas que atingiram a articulação
  • Consolidação viciosa (mal union): quando o osso cola em posição incorreta, podendo necessitar de nova cirurgia
  • Lesão de tendões: rara, mas possível quando há contato do tendão com a placa ou parafusos
  • Síndrome dolorosa complexa regional (SDCR): dor crônica, inchaço e rigidez desproporcional, que exige tratamento especializado

A maioria dessas complicações pode ser prevenida ou minimizada com o tratamento correto desde o início e com acompanhamento regular.

Quando procurar um ortopedista especialista em mão

Se você sofreu uma queda e apresenta dor, inchaço ou deformidade no punho, procure atendimento médico imediatamente. Não espere dias para ver se melhora — quanto antes a fratura for diagnosticada e tratada, melhores são os resultados.

Procure um ortopedista especialista em mão e punho especialmente se a fratura envolve a articulação, se houve indicação de cirurgia ou se, durante o tratamento com gesso, você perceber aumento da dor, dormência nos dedos ou mudança na posição do punho.

A fratura do punho tem excelente prognóstico quando tratada por um profissional experiente. A maioria dos pacientes retorna às suas atividades normais, incluindo esportes, entre 3 e 6 meses após a lesão.

O Dr. Renê Hobi é ortopedista especialista em cirurgia da mão e punho. Se você sofreu uma fratura ou está em recuperação e sente que os resultados não estão satisfatórios, agende uma consulta para uma avaliação completa e orientação personalizada.